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AS PERSPECTIVAS DE RECUPERAÇÃO ECONÔMICA DO MERCOSUL



Os países que compõem o Mercosul têm sido representados há anos como importantes parceiros comerciais para o mercado produtivo brasileiro. Desde a exportação de commodities à exportação de produtos industriais com alto valor agregado, os países que compõem o bloco econômico têm atraído a atenção de diversas empresas que pretendem aproveitar das condições favoráveis que estes vizinhos nossos podem nos apresentar.

Entre as razões que tornam esse mercado sul-americano tão atrativo estão os tratados econômicos. Há décadas tratados de caráter econômico têm sido elaborados entre o governo brasileiro e os governos de outros países latinos. Entretanto, foi na segunda metade do século passado que teria ocorrido uma preocupação maior da diplomacia destes países em firmarem sistemas impulsionadores de suas relações comerciais através da criação de blocos econômicos.

Entre um dos primeiros casos, esteve a ALADI (Associação Latino-Americana de Integração), a qual é uma organização intergovernamental criada com o apoio dos países latino-americanos com o foco na promoção geral do desenvolvimento econômico e social através do impulsionamento das relações comerciais entre os países signatários de seus acordos de comércio.

A ideia da ALADI foi muito efetiva e muitos de seus acordos possuem validade até os dias atuais, servindo como medidas históricas que permanecem hoje em dia como fatores de estímulo a atividade exportadora.

Diante da experiência da ALADI, anos mais tarde, os países signatários engajaram em um projeto maior e mais ambicioso: a formação de um bloco econômico com mais benefícios. As experiências de outros países na elaboração de blocos econômicos de sucesso, como a Europa com a União Europeia e a América do Norte com o Nafta, levaram os países sul-americanos a estipularem formas mais eficientes de estimularem o comércio entre si com a formação de um bloco econômico similar.

Nisto nasceu o que hoje conhecemos como Mercosul (Mercado Comum do Sul), um bloco econômico de livre-comércio e livre-circulação com isenção tarifária para a comercialização de produtos entre os membros integrantes do bloco, servindo de bases para a atividade exportadora de muitas empresas brasileiras que querem adentrar em novos mercados.


ARGENTINA



A Argentina, como nosso principal parceiro econômico no Mercosul, há anos tem recebido a maior parte das exportações brasileiras no bloco econômico. Entre os fatores para tal estão a proximidade com o nosso vizinho, a proximidade cultural, a complementariedade dos dois mercados e o poder de compra dos consumidores e empresas argentinos. Apesar destes fatores, um ponto negativo que pode limitar o interesse de alguns na Argentina é a instabilidade econômica. O país vive em crise, com déficits seguidos há anos e raramente teve crescimento no último decênio.

Com relação à pandemia, inicialmente a Argentina foi pouco afetada, mas após o afrouxamento das medidas sanitárias ideais, o país passou por uma das piores crises sanitárias na América do Sul. Posteriormente, com a retomada das medidas sanitárias o número de casos abaixou e se estabilizou. Entretanto, assim como todos os outros países periféricos, a Argentina sofre com a falta de disponibilidade imediata de vacinas no mercado internacional, mas como o número de casos tem se encontrado controlado, é esperado que a situação não piore desde que a vacinação continue.

Do ponto de vista econômico, segundo a OCDE, muitos países sul-americanos vão recuperar parte de suas perdas com o fim da pandemia através da vacinação e a Argentina seria um deles. Por mais que não seja esperado que a economia deles retome o padrão anterior a crise sanitária, a expectativa é de crescimento até 2022. Este fator pode beneficiar aqueles com negócios em solo argentino, mas ainda não há perspectivas de como será o cenário a longo prazo.


PARAGUAI



Outro grande parceiro econômico brasileiro é o Paraguai. O país tem importado muitos produtos brasileiros como: adubos, milho, soja, equipamentos elétricos, cerveja e automóveis. Com a pandemia, os negócios entre os dois países decaíram um pouco, apesar de já estarem em queda, mas ainda se sustentam em um patamar alto de 2 bilhões de dólares FOB em exportação aproximadamente.

Entre os pontos atrativos do Paraguai, estava a estabilidade econômica. O país manteve uma tendência de crescimento por todo o início do século XXI até 2014, no qual ocorreu um déficit. Entre as razões para isso estariam a instabilidade política do país, o qual tem passado por momentos conturbados politicamente desde 2012 e, recentemente tem passado por mais tensões similares que podem indicar outra troca de governo.

No início da pandemia, assim como a Argentina, o Paraguai havia iniciado bem a sua gestão sanitária, entretanto, diferentemente da Argentina a tendência de piora da questão sanitária foi constante, apesar de em menor intensidade. Desde julho de 2020, os casos tem se mantido em alta e em 2021 apresentaram um aumento vertiginoso. Como resultado, as tensões políticas entre a população, a oposição e o governo atual têm aumentado, o que explica a instabilidade atual.


CHILE



Outro destaque econômico na América do Sul é o Chile, o qual tem um histórico de crescimento econômico constante no último decênio, com apenas um ano em que ocorreu déficit antes do cenário de instabilidade social e política. Por mais que o país possuísse uma economia pulsante, ela era sustentada em cima da manutenção e da intensificação de tensões sociais que eclodiram recentemente e levaram a formação de uma nova constituinte. Outro detalhe, é o que Chile tecnicamente não é membro do Mercosul, mas usufrui de certos acordos econômicos por ser signatário de acordos da ALADI que foram sobrescrevidos pelo Mercosul.

Com as reformas sociais postas em prática e o período eleitoral próximo, é provável que a situação política se estabilize de novo e o Chile retome o crescimento econômico abalado pela pandemia. Entre os produtos mais cobiçados pelo mercado chileno estão as carnes bovina e suína e veículos automotores em geral, desde automóveis à tratores.

Quanto a pandemia, o Chile teve problemas sanitários desde o seu início, tendo mantido uma média consideravelmente alta de casos mesmo fora de períodos de pico. Entretanto, o país tem se destacado nas campanhas de vacinação, sendo um dos países com maior proporção relativa da população vacinada, o que tem levado a uma queda de casos. Com isso, a expectativa é que a retomada do Chile seja uma das primeiras na América do Sul.


URUGUAI



O Uruguai é outro membro signatário do Mercosul de destaque. O país tem similaridades com o Chile em ter uma economia com histórico recente de crescimento e um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano da América Latina. Nas suas relações com o Brasil, o país tem consumido muito derivados do processamento do petróleo, automóveis, minérios como o minério de ferro e produtos derivados da pecuária.

Quanto à pandemia, o Uruguai foi um dos países que melhor lidou com a restrição de circulação do vírus em 2020. O país ficou praticamente todo o ano, com pouquíssimos casos de transmissão e mortes, mas teve um pico de casos que se intensificou em dezembro. Desde o aumento dos casos, o número de novas infecções e mortes tem se estabilizado em alta. Entretanto, o Uruguai tem se destacado com a vacinação e conforme o avanço das suas campanhas, a economia Uruguaia deve começar a recuperar suas perdas da pandemia.


BOLÍVIA



Assim como o Chile, a Bolívia tem uma situação especial no Mercosul. Apesar de não ser membro do Bloco, o país também detém participação em certos acordos por ter sido signatária da ALADI quando estes acordos foram sobrescrevidos pelo Mercosul. Além disso, o país tem almejado adentrar no bloco e o processo de inscrição encontra-se parado no congresso para aprovação dos países envolvidos. Entre os produtos que o país costuma importar de produtores brasileiros estão: produtos e peças industriais, automóveis, cerveja, papel, calçados e produtos químicos.

Desde o início dos anos 2000, a economia boliviana tem apresentado crescimento constante, assim como a qualidade de vida e o IDH da população, apesar destes valores ainda serem inferiores aos de alguns países vizinhos mais desenvolvidos. Historicamente, a Bolívia possuía como fator desestimulador à exportação a instabilidade política do país, entretanto, nos últimos dois decênios isso parecia que não ocorreria mais. Entretanto, a crise recente causada pelos dramas nas eleições bolivianas acabou revivendo temores sobre a manutenção da estabilidade do país, apesar que estes foram apaziguados com a eleição de Arce com grande apoio popular.

Com relação à pandemia, a Bolívia teve grandes problemas com dois grandes picos de casos no meio de 2020 e no início de 2021. No momento, os casos se apresentam em queda, mas ainda estão em patamares consideravelmente altos. Apesar do ritmo inicial baixo da vacinação, o país tem contratos para obter mais dozes nos próximos meses, o que será essencial para o início da recuperação econômica das perdas ocasionadas pela pandemia.


COLÔMBIA



A Colômbia, assim como Chile e Bolívia, também é um Estado que não faz parte do bloco, mas usufrui de privilégios comerciais dele em decorrência da ALADI. A economia colombiana, entretanto, difere das destes países. Desde 2013, a economia tem sofrido para se estabilizar em uma situação de crescimento após déficits seguidos em 2014, 2015 e 2016. Mesmo que o crescimento tenha sido retomado nos anos posteriores, ele foi pequeno e não conseguiu restituir as perdas do período de crise. Além disso, em decorrência da pandemia é esperado que o PIB de 2020 tenha voltado a regredir.

Apesar disso, o comércio entre o Brasil e a Colômbia estava em alta desde 2015, tendo sofrido um baque apenas durante a pandemia em 2020. Entre os produtos brasileiros mais importados pelos colombianos estão: os veículos automotores, café, milho, açúcar, papel e peças industriais de ferro.

Quanto à pandemia, a Colômbia teve uma média de casos e mortes relativamente alta durante o ano de 2020, tendo sofrido mais com os picos de infecção no meio e do fim ano, assim como os outros países da América do Sul. Entretanto, desde janeiro os casos tem diminuído e, com o início da vacinação, por mais que tenha sido consideravelmente tardia em comparação com outros países, espera-se que os casos continuem caindo. A disponibilidade de doses para o governo colombiano será essencial para definir a velocidade deste processo.


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