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DECLÍNIOS NO MERCADO INTERNO: PROBLEMAS NA PRODUÇÃO E NO INVESTIMENTO

Atualizado: Mai 24



A economia brasileira tem se apresentado em constante crise a alguns anos, mas agora, com o fim da década, novos parâmetros e dados econômicos ficaram disponíveis para análise de como se encaminha nossa produção nacional e o nível de investimento nacional.


Esses parâmetros servem para guiar a compreensão de tendências recorrentes da atualidade, como também são importantes para a determinação de políticas públicas de caráter social e econômico. Dentro deste aspecto, ações do governo como a execução de censos e outras pesquisas demográficas têm se tornado essencial, apesar de recentemente elas não terem sido executadas nos limites de tempo estipulados por lei.


No caso mais recente, há o Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o qual foi deixado para o ano que vem em virtude dos empecilhos ocasionados pela pandemia e por problemas no orçamento do Governo Federal. Sendo assim, a coleta de dados demográficos mais importante do país ainda não ocorreu, mas ainda há certos parâmetros econômicos de outras áreas e órgãos sobre o período da última década.


Por fim, isso acaba nos tornando reféns de dados defasados de outras épocas ou de dados de empresas terceiras que não retêm a amplitude necessária para traçar políticas públicas com eficiência. Entretanto, mesmo através destas pesquisas, a tendência que tem sido observada é a de perda de potencial econômico e de piora do poder de compra e da qualidade de vida da população. Esses fatores também estão relacionados com a perda de potencial produtivo e do encarecimento da produção de bens de consumo.


Nos pontos a seguir, explicitaremos algumas tendências negativas que têm sido observadas recentemente a respeito das tendências atuais ruins para o desenvolvimento da economia brasileira.


PODER DE COMPRA, CUSTOS DE PRODUÇÃO E ELASTICIDADE-PREÇO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS


De acordo com uma matéria do UOL junto ao CEPEA (Centro de Estudos avançados em Economia Aplicada), produtores rurais têm enfrentado dificuldades para ofertar e produzir produtos agrícolas que antes eram de grande desempenho em vendas no mercado interno.


Entre as causas para o ocorrido estão a queda do poder de compra dos consumidores desses produtos, a política cambial que elevou o preço do dólar, o aumento do custo dos insumos necessários para produção desses produtos e alimentos e a incapacidade dos produtos de fazer valer a produção de todos os seus territórios plantados. Muitos desses fatores foram imensamente agravados pela pandemia, que persiste desde 2020, de forma a amplificar os efeitos acima descritos.


Quanto à produção e à oferta, o principal fator de impacto negativo foi a política cambial. Os grandes avanços na cotação do dólar desde 2019 elevaram os custos para a importação de insumos para a produção de produtos em solo nacional. Sendo assim, para aqueles que dependem do fluxo destes produtos para consumidores do mercado interno, esse aumento do custo de produção se reflete em um aumento do custo final do produto no atacado e em uma redução das possíveis margens de lucro.


Quanto ao lado da demanda, nos anos recentes, o poder de compra do cidadão comum tem decaído constantemente, relegando-o a optar por alternativas mais baratas de certos produtos e o fazendo abandonar o consumo de outros produtos, mesmo que essenciais. Isso é possível observar através da flutuação do poder de compra. Como relatado em recente matéria do El País, o salário mínimo atual tem o pior poder de compra dos últimos quinze anos, possibilitando apenas a compra de uma cesta básica, enquanto os valores de outros anos permitiam o poder de compra de duas.


Nisto, produtores de alguns produtos como o tomate têm sofrido com a falta de demanda para seus produtos, os quais acabam descartados para manter o nível de preço no mercado. Assim, muitos têm optado por reduzir a área produtiva, de forma e tentar mitigar as perdas com o alto custo de produção e baixa demanda de mercado.


Para piorar a situação, nos últimos dois anos as safras sofreram com clima pouco atípico que impactou negativamente a produtividade, ocasionando ainda mais prejuízo aos produtores de vegetais mais sensíveis a mudanças climáticas bruscas. Como resultado, de acordo com a matéria do UOL, muitos produtores têm procurado investir mais na qualidade do que na quantidade da produção, visando minimizar riscos e aumentar garantias de lucro. Ainda assim há aqueles que produzem e vendem produtos com elasticidade-preço pouco afetada pelos aumentos, pois, mesmo com a inflação, seus preços ainda conseguem ser baixos o suficiente para manter a procura e o consumo.


OS IMPACTOS SOBRE A PECUÁRIA


No setor agrário fato similar ocorreu, com a pandemia e os agravamentos dos custos da produção do gado, o preço no mercado interno aumentou tanto que houve uma queda no consumo. Além disso, o preço elevado do dólar também influenciou nesse processo. A carne passou a ser exportada a altos valores para países com grande demanda como a China, deixando o mercado interno com pouca oferta, o que elevou os preços.


Neste sentido, de acordo com outra matéria da UOL, os produtores esperam que essas realidades não mudem no presente recente, tendo talvez alguma baixa nos preços somente ano que vem, caso ocorra um aumento do poder de compra da população aliado a uma diminuição dos custos de produção.


Ainda assim, eles também esperam que o preço elevado de certas peças ocasione a venda de outras peças de carne de segunda mão, o que levaria a uma substituição por produtos de menor valor e qualidade. Entretanto, diante do poder de compra atual do salário mínimo, poucos têm condição financeira de realizar esta troca, sendo obrigados a procurar substitutos ainda mais baratos como os ovos.


OUTRO PROBLEMA: A REDUÇÃO DO INVESTIMENTO


Além do setor produtivo, também há uma crise no setor de investimentos. De acordo com uma matéria do G1 elaborada com apoio de dados de pesquisadores da FGV, o Brasil atualmente passa pelo seu pior índice de investimentos externos dos últimos cinquenta anos, perdendo até para os níveis da crise da década de 1980.


Para piorar, a queda das taxas de investimento estaria numa tendência de queda constante, o que complicaria ainda mais a situação do país. A matéria, também destaca a importância desses indicadores de investimento para a economia. Seria necessário a reversão desse quadro para possibilitar um crescimento do PIB maior aliado a uma grande redução da taxa de desemprego.


Entretanto, considerando o cenário atual de dívida pública, o fomento desses investimentos para impulsionar a economia se vê ameaçado. Considerando as barreiras orçamentárias e de gastos, fica difícil observar uma realidade que permita esses investimentos com responsabilidade fiscal. O esforço é sim possível e plausível, mas demandaria responsabilidade e preparo dos governantes.


Como resultado dessas realidades supracitadas, muitos produtores têm procurado adentrar no mercado internacional para fugir dos problemas e instabilidades do mercado interno. Entretanto, esse esforço pode ser complexo e difícil para aqueles que não sabem como estruturá-lo. Entre em contato conosco e conheça nossos serviços de Estudo de Mercado. A Sage pode ajudá-lo a tornar esse sonho em realidade!

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