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DESMATAMENTO: SECA, PREÇOS ALTOS E MENOR PRODUÇÃO



Recentemente, o Brasil tem ganhado destaque mundial de forma negativa pelo aumento crescente do desmatamento, o que tem levado investidores estrangeiros a ameaçar boicotar investimentos e exportações brasileiras. Entretanto, por mais que seus os impactos mais conhecidos sejam de caráter externo atualmente, o desmatamento ocasiona diversos problemas também para a gestão interna do país.


Seja por criar empecilhos para os produtores rurais ou seja por criar problemas para os consumidores, o desmatamento tem afetado direta e indiretamente a vida da população brasileira em um aspecto geral.


A grande razão por detrás disso é a influência da evapotranspiração como uma das fontes que alimentam o ciclo hidrológico responsável pelo regime de chuvas em muitas áreas do país. Por mais que os efeitos ainda sejam mínimos, caso o desmatamento não freie, a tendência é que a longo prazo os efeitos negativos se intensifiquem.


Como forma de melhor dimensionar estes impactos, veja a seguir alguns detalhes a respeito dos impactos sobre produtores e consumidores:


A SITUAÇÃO ATUAL DO DESMATAMENTO


O desmatamento brasileiro tem se tornado uma questão que requer extrema preocupação atualmente. O seu avanço tem reduzido de forma drástica diversos biomas nacionais, em especial o Cerrado, que ocupa uma parcela de 25% do território nacional, porém, 43,7% desta cobertura vegetal já foi desmatada e substituída pela agropecuária.


Além de toda a sua riqueza vegetal, o cerrado ainda abriga a nascente de oito das doze bacias hidrográficas brasileiras. Esses rios que correm o ano todo são responsáveis pela manutenção da vegetação do Cerrado, que graças a suas raízes longas e ramificadas, conseguem alcançar água e nutrientes nas partes mais subterrâneas do solo. Sendo assim, em períodos de seca, a umidade do solo fica garantida e, em períodos chuvosos, a água infiltrada alimenta as nascentes dos rios. No entanto, todo esse sistema cíclico encontra-se comprometido pela troca da vegetação nativa por lavouras irrigadas, que corresponde a 49,8% da demanda de água de todo o Brasil.


Além disso, o desmatamento em outras regiões como a Amazônia produz efeitos similares em outras regiões do país, induzindo a uma frequência e intensidade menor de chuvas com o passar do tempo. Como outro agravante, a interferência de efeitos climáticos como o La Niña também influenciam grandemente nos períodos de estiagem atuais. Por fim, a tendência que é a situação se agrave ainda mais e que as secas fiquem mais frequentes caso esses fatores não sejam remediados. Como consequência disso, são notórios os impactos negativos sobre os produtores e os consumidores no mercado interno.


A SITUAÇÃO NA AGRICULTURA E NA PECUÁRIA


Com o aumento do desmatamento e as subsequentes secas que assolam cada vez mais o país, diversos agricultores já sentiram a diferença em suas produções. Na região do Centro-Sul, a safra da laranja veio com frutos secos e pequenos, estimando-se que esta será 10% menor em comparação à média dos últimos 10 anos. No Mato Grosso, a colheita de milho foi a prejudicada: a falta de chuvas atrasou o cultivo do cereal e houve uma queda de 11% na produção em relação à safra passada.


Na pecuária, a estiagem fez com que o planejamento de uma fazenda de Monte Alegre de Minas, no Triângulo Mineiro, fosse alterado e os animais voltassem ao confinamento, já que a produção do leite depende do pasto. Dessa maneira, o agricultor precisará recorrer a outras estratégias para evitar que sua produção diminua e, infelizmente, algumas dessas estratégias podem pesar no preço final, de forma a encarecer os produtos para o consumidor.


Atualmente, a renda das famílias tem sido pressionada de diversos lados. Seja no poder de compra de itens essenciais, no aumento do preço da prestação de serviços essenciais como água, luz e aluguel, é notável a diminuição no consumo de vários produtos e serviços, além da maior situação de vulnerabilidade das famílias de classe média e baixa.


Vale também destacar que, além das interferências indiretas no setor produtivo que levam aos impactos destacados acima, também existem impactos diretos na saúde e no bolso da população. A redução das chuvas é o principal fator que tem aumentado diretamente as tarifas sobre consumo de eletricidade e tem colocado regiões em situação de uso racionado de água.


ALTERNATIVAS PARA PRODUÇÃO DE ENERGIA


Diante desses cenários, sejam os governos das mais diversas esferas ou os próprios produtores, muitos têm procurado alternativas para minimizar perdas durante o período de crise.


Da parte governamental, tem-se estudado alternativas para produção de energia. Hipóteses que vão desde de o ligamento de termelétricas à carvão ou à gás até aumento da tarifa com risco de racionamento junto a compra de energia de países vizinhos como o Paraguai tem sido levantadas. Entretanto, no fim, tem-se que o aumento da tarifa tem um cenário quase inevitável para ocorrer.


Do lado dos produtores, recentemente, alguns produtores rurais do Paraná utilizaram lixos orgânicos e dejetos de animais para produzirem e venderem sua própria energia elétrica - biogás -, sintetizado através de biodigestores. Segundo a matéria do G1, o Paraná é o estado onde mais se produz esse biocombustível, já que há uma vara com cerca de 4 milhões de suínos somente no oeste do estado. Uma das propriedades que produzem essa energia limpa é a granja “São Pedro”, localizada em São Miguel do Iguaçu, a qual em 2011 já vendia sua energia para a companhia elétrica do Paraná.


Após esse ano, a forma de remuneração mudou: ao invés da granja receber da companhia elétrica em dinheiro, hoje recebe com “créditos” que podem ser utilizados para abater a conta de energia elétrica de outros imóveis que o proprietário possui. Atualmente, a granja produz energia o bastante para abastecer 170 imóveis, além de possuir um projeto para alimentar a rede local de energia.


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