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O CRESCIMENTO FRENTE A PANDEMIA: Como países africanos poderão crescer economicamente


A pandemia em que o mundo se encontra hoje não só abalou a Saúde como também a Economia global, e, diante dessa situação, países considerados como grandes potências econômicas acabaram reduzindo suas produções. Com essa “desaceleração”, os países dependentes da produção dos grandes impérios econômicos também sofreram. O choque de realidade mundial fez com que muitos de nós acreditássemos que o crescimento e o desenvolvimento seriam impossíveis.


Contudo, de acordo com a BBC, o Banco Mundial destacou que para 30 países este ano será de crescimento, ainda que menor do que o esperado e a maior parte desses países pertencem à África Subsaariana. Dessa forma, na conjuntura pós-pandêmica, tais países serão importantes para o comércio exterior e podem criar novas relações comerciais com o Brasil e o resto do mundo, o qual precisará se recompor e superar as consequências que o surto da COVID-19 gerou e ainda gerará. Porém, deve-se salientar que essa previsão foi feita baseada em um controle da doença nesses países, caso não haja tal feito, pode haver a falta de equipamentos e leitos, o que acarretará diretamente na economia dessas nações.


Nesta matéria serão destacados apenas os países africanos, os quais são pouco evidenciados na conjuntura mundial e econômica, mas que possuem uma enorme gama de possibilidades de mercados e trazem benefícios para aqueles que entram em contato com os mesmos.


Motivos de Crescimento Econômico



Economistas do Banco Mundial acreditam que mesmo perante ao caos há esperança, principalmente para aqueles países que possuem mercados emergentes e economias em desenvolvimento, que são menos dependentes do setor de serviços e mais dependentes da agricultura, os quais podem apresentar um maior crescimento. A partir disso, os economistas trazem cinco motivos para entendermos a razão do crescimento econômico dos países que se encaixam nesse perfil.


1. Menor integração ao comércio global

Os países com essas características já citadas tendem a ser menos integrados ao comércio global, sendo assim, já sofrem um grau de isolamento; então, quando há um problema nas redes globais a gravidade para com elesl, não são tão prejudicados como nos outros países mais integrados.


2. Maior dependência da agricultura

Esses países em específico dependem mais fortemente do setor agrícola, fazendo com que sejam menos expostos quando ocorre a queda nos preços das commodities induzida pela pandemia, diminuindo apenas marginalmente, em comparação com as quedas brutais nos preços das commodities industriais.


3. Setor de serviço menor

Países nessa situação tendem a ter setores de serviços que são cerca de um quinto menor do que a média dos países emergentes em desenvolvimento. Os setores de serviços foram um dos mais afetados em suas atividades por conta do envolvimento de interações, que foram interrompidas por conta do isolamento e distanciamento social.


4. Menor dependência do turismo

Esses países, além de estarem em uma posição emergente economicamente, também estão em um desenvolvimento mínimo relacionado ao Turismo, pois muitos deles nem possuem atividade turísticas e, quando possuem, não chega nem na metade daqueles países que têm o turismo como um marco econômico. Dessa forma, determinados países são notavelmente menos vulneráveis ao colapso das viagens.


5. Menor impacto da pandemia

Esse tópico foi baseado nos relatórios de testagem sobre o surto de COVID-19 e, a partir desses relatórios, analisa-se que esses países tiveram cerca de 3/4 menores do que na média dos países emergentes. Além disso, houve também um número bem menor relacionado com as restrições à movimentação nesses países, ao contrário do restante do mundo.


Dados demonstram que esses países eram 1/5 menos rigorosos do que na média dos outros países emergentes e em desenvolvimento.


África Subsaariana


A África Subsaariana é uma região do continente africano composta por 47 países que se localizam, geograficamente, abaixo do Deserto do Saara. A região é conhecida por ser o “berço da humanidade” e é considerada como “a última fronteira do capitalismo”, isso porque essa área foi o último território a ser colonizado pelo mundo capitalista.


Apesar da dependência das exportações de commodities industriais, como metais, minerais e petróleo, as nações dessa região normalmente são menos integradas ao comércio global e mais dependentes da agricultura, o que ajuda no isolamento parcial de efeitos graves e globais.


Como citado, a atividade agrícola foi afetada um pouco menos diretamente pela pandemia, uma vez que os preços destas commodities agrícolas caíram em uma extensão muito menor do que os preços do petróleo e dos metais. Entretanto, mesmo para as economias que tendem a crescer, o crescimento será muito menor que a tendência.


Ademais, há outros fatores, como por exemplo, as restrições de permanência em casa que foram menos rigorosas, mesmo com o turismo em baixa; há possibilidades de surtos nessas regiões dada ao sistema de assistência médica fracas.


Mesmo com essas variáveis, os economistas do Banco Mundial destacam o país e a porcentagem do possível crescimento do PIB dessas regiões: Benin (3,2%), Burkina Faso (2%), Burundi (1%), República Centro-Africana (0,8%), Costa do Marfim (2,7%), Etiópia (3,2%), Gâmbia (2,5%), Gana (1,5%), Guiné (2,1%), Quênia (1,5%), Malauí (2%), Mali (0,9%), Moçambique (1,3%), Níger (1%), Ruanda (2%), Senegal (1,3%), Tanzânia (2,5%), Togo (1%), Uganda (3,3).


Logo, destacamos países, como Benin, Etiópia, Uganda, Costa do Marfim e Gâmbia, para mostrarmos suas características de desenvolvimento.


Reino de Benin


Reino de Benin, ou simplesmente Benin, é um país localizado na África Subsaariana, mais precisamente a oeste com a Nigéria, ao norte com Níger, a noroeste com Burkina Faso, a leste com Togo, além de ser banhado ao sul pelo Golfo de Benin, no Oceano Atlântico.


O país sofreu com a colonização de um dos principais reinos da África no século XVII. O período ficou marcado, pois houve uma intensa comercialização de escravos com os portugueses, que tinham como objetivo levá-los, principalmente, para o Brasil. Dessa forma, os muitos anos de exploração colonial prejudicaram seu desenvolvimento econômico. Benin apresenta uma economia pouco desenvolvida, baseada na pesca e na agricultura. Os principais cultivos são o de algodão, cacau, arroz, feijão, milho, mandioca e amendoim. A indústria, pouco diversificada, tem como destaque o segmento têxtil.


Infelizmente, Benin possui um fraco desenvolvimento econômico, o que acaba refletindo em seus indicadores socioeconômicos, e além disso, o país enfrenta a pandemia de Coronavírus. Entretanto, mesmo sendo um país considerado “pobre”, Benin possui 1.199 casos confirmados, sendo 333 recuperados e apenas 21 mortes até o presente momento (02/07/2020), quando comparados aos próprios países em desenvolvimento. Ainda, a nação africana apresentou medidas para com a população para fazer com que o combate fosse não só obrigação do Estado, como também da população, tanto que para o governo decidir fechar as escolas, universidades e locais de culto, foi preciso uma manifestação de estudantes, para pressioná-lo. Depois dessa “pressão”, o governo disponibilizou uma plataforma de acesso na internet, para que a população recebesse todas as recomendações da OMS.


Como destacado acima, Benim se encaixa nos motivos de possível crescimento econômico durante a pandemia, realizada pelos economistas do Banco Mundial, sendo um país emergente em desenvolvimento e com as características necessárias para se desenvolver perante o caos, sendo, quem sabe, um foco de países parceiros de comércio.


Etiópia



A Etiópia localiza-se no denominado “Chifre da África”, na região Nordeste do continente africano e possui uma população de 110 milhões de habitantes e um território pouco menor que o do Pará, tendo a agricultura como principal empregador da mão-de-obra local, a qual ocupa mais de 80% da população economicamente ativa. O solo é propício ao cultivo de café, milho, cevada, sorgo e flores.


Em meio à pandemia, esse país, sendo o segundo mais populoso do continente, registrou 5.846 casos confirmados e 103 mortes até agora (02/07/2020). O governo da Etiópia concluiu que não teria como arcar com o mesmo tipo de reação aos vírus apresentado por países ricos. Quando a pandemia começou, o país tinha 22 ventiladores para pacientes com o vírus. Em vez de um “lockdown” rígido, a Etiópia optou por uma resposta baseada na divulgação de mensagens públicas.

“Essa não é uma doença que se combata com ventiladores ou UTIs. Noventa por cento da solução está no distanciamento social e na lavagem de mãos. A única maneira que temos que jogar e ganhar é enfocando na prevenção” disse Arkebe Oqubay, Ministro Sênior e Assessor Especial do Primeiro-Ministro.

A Etiópia tem sustentado um crescimento econômico escandaloso e constante desde 2003. Desde então, até 2018, o país registra crescimentos anuais que oscilam entre 8% e 12%. Sendo assim, a Etiópia foi o país que mais cresceu no mundo durante esse período e é conhecida como a “China da África”. O PIB da Etiópia multiplicou por dez vezes entre 2003 e 2017, saindo de 8 para 80 bilhões de dólares. Entretanto, agora com o Coronavírus presente no contexto, a previsão do crescimento econômico desse país caiu consideravelmente, porém, diferentemente do resto do mundo, ele não foi negativado, permanecendo com 3,2% de crescimento do PIB para esse ano (2020).


UGANDA


Localizada na África Oriental e com uma população de 43 milhões de habitantes, a economia ugandense é pouco desenvolvida, sendo a agricultura a principal fonte de receitas. Os solos férteis e a grande disponibilidade de água impulsionam esse setor econômico, com destaque para o cultivo de café, que emprega a maioria dos ugandenses, além de ser o produto de destaque nas exportações. A nação também possui grandes reservas minerais, sobretudo de cobre e cobalto.

Nesse contexto pandêmico, a Uganda possui 893 casos confirmados e nenhuma morte até o momento (02/07/2020). Apesar da inclusão do lockdown para a contenção da doença, o governo também tem feito contínuas comunicações pelo rádio a respeito da necessidade de limpeza e de lavar as mãos, assim como foram distribuídas máscaras gratuitas para todos e alimentos e outros produtos, tais como feijão, um pouco de açúcar e sabão.

O crescimento econômico ugandense pré-Coronavírus era em torno de 6%. Contudo, na conjuntura atual, a previsão feita pelos economistas do Banco Mundial destaca esse país como um dos que irão permanecer com o saldo positivo indo em direção contrária ao resto do mundo e, apesar de a porcentagem ter diminuído para 3,3%, continua sendo um grande ponto a se considerar futuramente nas relações econômicas que se instalarão no contexto pós-pandêmico.


Costa do Marfim


A Costa do Marfim localiza-se na África Ocidental e faz fronteira com Gana, Libéria, Burkina Faso, Mali e Guiné. A agricultura representa 30% da economia do país, o qual é conhecido pela exportação de cacau, café, algodão e óleo de palma, entre outros produtos. Além disso, apesar da atividade industrial representar 21% e do setor de serviços representar 49% do PIB, cerca de 70% da população economicamente ativa exerce atividades relacionadas ao campo. Devido à extensa costa, atividades comerciais relacionadas à pesca também são uma fonte de ocupação da população local.

Mesmo no setor industrial, grande parte dos produtos gerados são derivados do processamento de produtos agrários produzidos internamente, sendo os principais baseados no processamento do cacau, café, açúcar, algodão e fumo. Além disto, outro foco de insumos internos para a atividade industrial no país é a atividade mineradora, a qual tem destaque na produção e processamento de ouro, diamantes e níquel. Outras alternativas industriais possibilitadas pela mineração são o processamento de produtos a base de ferro ou manganês. Como fator impulsionador, ainda temos o acesso à disponibilidade local de produção de petróleo, sendo produzidos cerca de 50.000 barris ao dia.

Em relação à pandemia do Coronavírus, a Costa do Marfim registrou seu primeiro caso em março e, no presente momento (02/07/2020), teve registradas 68 mortes e mais de 9.000 casos em todo país. A curva de novos casos tem se mostrado ascendente, mesmo com o número de casos pequeno, o que pode se tornar um empecilho no futuro caso essa tendência aumente.


A previsão de crescimento do país em 2020 gira em torno de 2,5% em um cenário em que os surtos da epidemia no país sejam controlados. A razão está nas características compartilhadas com os outros países citados como maior predominância das atividades agrárias e menor dependência do mercado internacional e do turismo. Entretanto, entre as preocupações, os mesmos medos se mantém. Essa expectativa de crescimento pode ser abalada caso esses países não consigam controlar seus surtos internos nos próximos meses, o que poderia derrubar muito suas projeções econômicas.

Gâmbia



Sendo o menor país da África Ocidental, possuindo 1,8 milhões de habitantes, a Gâmbia possui uma economia na qual a agricultura é responsável por 28% do PIB do país. Como consequência, o setor emprega cerca de 70% da população economicamente ativa do país, sendo alvos de destaque o cultivo de cacau, algodão, amendoim e milho. Ainda no setor agrário, a pecuária extensiva de gado bovino também recebe destaque. Assim como na Costa do Marfim, a pesca também possui um papel econômico importante, mas, nesse caso, também é um dos focos de exportação do país.

Com relação a outras atividades econômicas, a produção industrial de produtos baseados em insumos agrícolas e o turismo também detém importância na balança comercial do país, sendo 12% do PIB da atividade industrial e 20% do turismo. Esses três setores juntos também impulsionam o setor de serviços, o qual, proporcionalmente, é o maior contribuidor para o PIB com 59%. Todavia, em razão da pandemia, houveram algumas mudanças nessa dinâmica do economia do país.

A Gâmbia, por ser um país pequeno, entre tantos outros fatores, teve um controle maior sobre a pandemia de COVID-19. Contudo, seus setores turístico e de serviços relacionados a isso foram afetados. Entretanto, a epidemia no país se encontra com um número pequeno de casos (49) e apenas 2 mortes até o momento (02/07/2020). Com isso, a perspectiva prevista é a de que a Gâmbia se enquadre entre os países agrários que sofreram menos com a depreciação do preço de seus produtos no mercado internacional, estando a previsão de seu crescimento neste ano em torno de 2,5%.

Tendo em vista que a pandemia trouxe graves consequências em todos os campos da sociedade e em todos os países, a recuperação será com cuidado e lenta, focando principalmente no âmbito econômico. O comércio exterior foi uma das áreas mais prejudicadas com o surto do vírus e seu restabelecimento eficaz será demorado, portanto, tanto os países destacados quanto os que não foram mencionados, serão de extrema importância para a restauração da economia mundial e o comércio internacional, ainda mais os países africanos que possuem ricos produtos, matérias e oportunidades inimagináveis de mercados e parcerias. Para se recuperar, o mundo precisará de outra perspectiva e visão e quem sabe dessa vez os países da África não possam ser mais incluídos, precisa e diretamente, nas relações comerciais internacionais.

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