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O QUE É EXPORTAÇÃO INDIRETA? QUAIS SUAS VANTAGENS E DESVANTAGENS



A exportação, sendo um objetivo comum almejado por muitas empresas, costuma levantar muitas dúvidas no imaginário de empresas pequenas que desejem começar a exportar. A necessidade de ater-se a diversos fatores comerciais, econômicos e políticos geralmente leva a dúvidas sobre como se realizar este processo. Mesmo assim, muitas vezes, não é necessário enfrentar todos estes empecilhos para iniciar sua exportação.

Uma modalidade de exportação que muitos desconhecem e que pode ser mais prática e convidativa para empresas pequenas adentrando no comércio exterior é a exportação indireta. Ela é uma maneira de exportar sem a necessidade de se preocupar com problemas estruturais, produtivos e mercadológicos e, apesar de não proporcionar todos os benefícios que uma exportação direta proporcionaria, ela se destaca pela ausência de alguns fatores negativos da modalidade direta, o que certamente a torna atrativa àqueles que veem nestes empecilhos uma barreira.

A seguir daremos uma pequena introdução histórica sobre a importância deste fenômeno econômico, sua função prática, possíveis vantagens e desvantagens e sua efetividade em comparação com a exportação direta:


QUAL A HISTÓRIA DA EXPORTAÇÃO INDIRETA?



A exportação indireta é caracterizada pelo intermédio de uma empresa terceira em um fluxo de produtos, que muitas vezes ocorre no mercado internacional, de um mercado a outro. Ela é umas das práticas comerciais mais tradicionais da história econômica e, de certa maneira, ela antecede até mesmo o próprio Capitalismo.

Práticas análogas ocorrem desde a Antiguidade, mas passou a deter importância econômica e política de destaque, principalmente, com a ascensão do mercantilismo na Europa, no qual o comércio de especiarias e metais preciosos tinha se tornado determinante para o fluxo de recursos na Europa. Neste contexto, era comum que produtos fossem adquiridos no Oriente para serem vendidos no Ocidente, de forma a introduzi-los a um mercado que não alcançariam em ampla magnitude de outra forma.

Este tipo de negócio intensificou o comércio internacional e estipulou alguns Estados a desenvolverem medidas de estímulo a este tipo de atividade econômica. Entre estes, pode-se destacar a Companhia das Índias Orientais inglesas e holandesas, primariamente, e as trading companies inglesas e japonesas, posteriormente.

As primeiras consistiram de iniciativas de seus respectivos Estados de garantirem predominância e domínio sobre as rotas comerciais para o Oriente no século XVII, disputa que culminou posteriormente num predomínio britânico com a ascensão da Inglaterra pós-ato de navegação e pós-revolução industrial.

Entretanto, as dinâmicas deste período serviram para a criação das primeiras técnicas de trading companies tradicionais que foram utilizados na contemporaneidade. Muitas tradings utilizam uma visão focada na especialização por produtos e serviços que deriva desta época, na qual elas procuram se especializar apenas um tipo de produto ou mercado.

Em contraposição a isto, no século XX, surgiu um modelo de tradings japonês conhecido com sogo shosha, o qual opera em sentido oposto ao modelo implementado no Ocidente: ele preza pela alta variedade e escopo de atuação. Muitas vezes, essas empresas são mais do que apenas tradings e, além de serem intermediárias, elas também possuem negócios próprios envolvendo aquisição e processamento de matérias-primas, produção industrial e prestação de serviços variados.


COMO AS TRADING COMPANIES FUNCIONAM?



Considerando que sua motivação seja exportar, a função de intermediário das tradings é o fator que deverá chamar mais sua atenção. Neste tipo de negócio, ao invés de exportar para o exterior, você venderia sua mercadoria a outra empresa brasileira que se comprometeria a exportar esse produto. Este tipo de ação é prevista legalmente e a empresa é tem que respeitar a finalidade pela qual se comprometeu, sendo, geralmente, estipulado um prazo para que o processo seja realizado, o qual deve ser cumprido.

Segundo o Ministério da Economia, nisto é realizado a emissão de uma nota fiscal de saída interna, na qual é especificado que o fim específico da transação é a exportação, sendo emitida com CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) 5501, 5502, 6501 ou 6502, de acordo com o caso, determinantes as categorias de cada operação e fornecendo o reconhecido atacado para a identificação e aplicação de tarifas também correspondentes.

Além disso, há a possibilidade de contratação da empresa para este tipo de serviço como exportação por conta e ordem, na qual a prestação de serviços com a finalidade de exportar um produto em nome de alguém, na qual a atividade gera certas necessidades de responsabilização mutua do prestador de serviços e do contratante por aspectos legais e tarifários, mas para isso é necessário ter um registro válido no Siscomex.

Sendo assim, seja através do repasse total do produto e das responsabilidades sobre ele ou sobre o encargo conjunto dos processos e tarifas há uma variedade de opções de permite a exportação para aqueles para que não podem arcar com os processos e para aqueles que querem se comprometer parcialmente por não poderem completamente.


LADOS POSITIVOS E NEGATIVOS:



Entre os pontos positivos da exportação indireta temos: a menor necessidade de conhecimento técnico, isenções tarifárias, menores riscos, a capacidade de ter uma introdução mais gradual ao mercado internacional, a ampliação do mercado consumidor, o aprendizado em relacionamentos Business-to-Business (B2B), praticidade e simplicidade.

Com base nisso, temos que empresas pequenas são grandes beneficiárias destes fatores, o que permite que elas possam abarcar este tipo de modalidade econômica com maior facilidade. Entretanto, estas facilidades podem acarretar em características negativas também. Como exemplo temos que a terceirização da ação acarreta num menor aprendizado e numa menor expansão de mercado, limitando o crescimento como um todo. Além disso, perde-se também o conhecimento de mercado e seu aprendizado, os quais são essenciais no processo de expansão e internacionalização.

Sendo assim, ele beneficiaria empresas que querem começar a adentrar no mercado internacional, mas não tem estrutura para tal, entretanto ele também limita a capacidade de aprendizagem e expansão comercial por si só.


EXPORTAÇÃO DIRETA OU INDIRETA?



Neste debate, muitas vezes se discute sobre qual seria a melhor alternativa para exportação: a exportação direta ou a indireta. Caso não saiba, o que é exportação direta, dê uma olhada neste outro artigo nosso aqui.

Então, qual seria o modelo ideal? A exportação direta ou indireta? Bem, isso dependerá das suas capacidades como empresa e dos seus objetivos. Assim sendo, caso tenha a capacidade técnica e jurídica para tal, a exportação direta, por mais que seja mais arriscada, pode ter retornos maiores. Em contrapartida, caso não tenha estrutura técnica para tal, a exportação indireta pode servir como marco inicial para adentrar nestes novos mercados, dando-lhe tempo para se aperfeiçoar para seguir adiante com os seus próprios pés no futuro.

Além disso, pode-se também levar em conta que a exportação direta pode trazer também benefícios para a produção do mercado interno, como o descobrimento de novas técnicas, de novos produtos e também o aumento do impacto da marca. Na outra mão, mesmo que tenha estrutura para exportar diretamente, utilizar um intermediário para exportar indiretamente pode assegurar lucros, mesmo que menores, com menos riscos.


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