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OS RISCOS DA ESTAGFLAÇÃO



Com a recente crise econômica, as atenções têm se voltado para um ponto crítico no momento econômico atual: a inflação. Com um dos maiores aumentos de preço desde o Plano Real, a inflação brasileira contemporânea vem acompanhada de um aumento do desemprego, o que acarreta em um fenômeno econômico conhecido como estagflação.


A estagflação não é um fenômeno novo na realidade brasileira. Ela já foi predominante principalmente durante a crise econômica do fim da ditadura até a o início do Plano Real. Entretanto, as suas características presentes e os contextos que levaram a sua formação são diferentes, mesmo que com as mesmas consequências.


Para abordarmos essa questão tão importante, no Blog desta semana iremos relatar algumas características desse fenômeno econômico que é a Estagflação e traçar alguns paralelos com as crises que já tivemos no passado para que possamos entender pontos importantes para o nosso futuro.


O QUE É A ESTAGFLAÇÃO?


A estagflação é um fenômeno econômico derivado do acontecimento simultâneo da estagnação e da inflação, ou seja, ocorre quando o país enfrenta não somente uma recessão, que acontece quando a atividade econômica não demonstra nenhum aumento, mas também uma alta nos preços de produtos, bens e serviços. Em situações ‘‘normais’’, as taxas de inflação e de desemprego apresentam uma relação inversa, ou seja, enquanto uma sobe a outra tende a descer, pois com o aumento da população empregada consequentemente há uma alta no nível da renda e do consumo, fazendo com que os preços também subam.


Porém, devido a políticas macroeconômicas equivocadas, o governo pode acabar injetando uma quantidade considerável de dinheiro a mais na economia, o que origina um quadro de estagflação à longo prazo. Hoje, na economia brasileira, presenciamos um cenário caótico, com a taxa de desemprego a 14,4% no segundo trimestre de 2021, segundo o IBGE, e o litro da gasolina subindo pela nona vez somente este ano, acumulando uma alta de 37% nos últimos doze meses. Para alguns especialistas, já estamos vivendo uma situação de estagflação no país, enquanto outros dizem que pode ser muito cedo para afirmar, uma vez que esse cenário depende de diversos fatores econômicos internos e externos.


O NOSSO PASSADO COM A ESTAGFLAÇÃO


O Brasil já passou por alguns períodos de estagflação ao longo de sua trajetória, algumas mais acentuadas que outras, mas todas caracterizadas por crescimento baixo e inflação elevada. O primeiro e mais longo, entre 1982 e 1984, após a alta dos preços do petróleo. Além deste episódio, o país viveu outros cinco períodos menores de estagflação entre as décadas de 80 e 2000, tipicamente se estendendo por dois ou três trimestres.


Entre 1974 e 1982, o governo acumulou uma grande dívida externa, diante da nova crise, os aumentos de preços se somaram ao aumento das taxas de juros nos países industrializados. A situação ainda foi agravada por outros motivos: a recessão internacional diminuiu a demanda por produtos exportados pelos países latino-americanos. O descontrole inflacionário, que alcançou patamares de quase 2000% ao ano ao final da década de 1980, perdurou por muitos anos e resistiu a várias tentativas de estabilização da economia. Houve um descontrole da dívida externa e uma grande queda dos investimentos externos no país. Apenas em 1994, com o Plano Real, foi possível controlar a hiperinflação.


UM FUTURO DE ESTAGFLAÇÃO?

O cenário de estagflação - que devido ao surgimento da variante Delta havia abaixado o PIB dos países, e o aumento da inflação superou a meta dos bancos centrais pelo mundo - já estava acontecendo a alguns meses. Apesar de alguns economistas dizerem que esse condição é passageira, e logo a economia mundial vai voltar a um cenário mais estável, muitos economistas preveem que os bancos continuarão a injetar dinheiro na economia (fomentando a inflação); a crise ambiental; os preço do transporte internacional em alta; a resistência às importações por parte de alguns países; salários que não acompanham a inflação e empresas que não têm interesse em contratar novos funcionários reforçam esse quadro, onde há estagnação econômica, bem como a inflação continua crescendo.


O problema se encontra também na política monetária - caso ela seja mantida, a tendência é que a inflação continue aumentando, entretanto, o aumento das taxas de juros, fator que dificulta o crédito, pode gerar mais recessão. Assim, um cenário de estagflação pode ser seguido de quebras nas bolsas nacionais, bem como a queda dos lucros, o que termina com a fuga de capital para títulos públicos dos Estados Unidos - diminuindo o valor das ações e causando ainda mais recessão em países como a América Latina em geral.


Para saber mais a respeito das tendências da economia brasileira venha acompanhar nosso Blog quinzenal e mantenha-se informado!


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