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QUAIS SETORES TÊM SE MOSTRADO PROMISSORES?

A pandemia de Covid-19 abalou a economia de diversos países de forma avassaladora, e, infelizmente, o caso da economia brasileira não foi muito diferente. Algumas projeções para os impactos ocorridos no ano demonstram que a pandemia pode ter ocasionado uma redução de até 5,0% no nosso PIB referente ao ano passado. Muitos setores puxaram esta queda, sendo eles os que mais tiveram suas estruturas de produção e vendas abaladas pelas novas dinâmicas criadas pela pandemia. Alguns exemplos seriam os setores de alojamento, transporte aéreo, atividades artísticas e fabricação de veículos automotores. Entretanto, alguns outros setores conseguiram obter uma recuperação considerável, enquanto outros pouco foram impactados ou até mesmo foram beneficiados por esta nova realidade ocasionada pela pandemia. Abaixo citaremos alguns exemplos que podem ser de interesse:


AGROPECUÁRIA



A agropecuária, historicamente, tem se demonstrado como a principal sustentadora da balança comercial brasileira. Apesar dos baques sofridos pela economia e da constante queda nos saldos do PIB trimestral durante o último ano, a agropecuária tem mantido índices de lucratividade altos, os quais impulsionaram parte da recuperação do nosso PIB nesse fim de ano. Entretanto, houve uma pequena queda na oferta, decorrente de problemas de sazonalidade produtiva devido às condições climáticas que perduraram nesse fim de 2020 e início de 2021. Mesmo, o índice final de lucratividade, principalmente com atividades relacionadas à exportação, manteve-se elevado, e, com a tendência de retomada da economia, para esse começo de ano, é provável que essa lucratividade em alta se mantenha.

Entre as áreas da agropecuária que tiveram maior destaque tivemos a produção e exportação de soja, arroz, café, feijão e trigo. Além disso, apesar de ter um desempenho mais instável no fim do ano, a produção e exportação de carne bovina também recebeu destaque.

A soja tem sido o principal commodity exportado pelo Brasil a um bom tempo e a situação tem se demonstrou favorável durante o ano de 2020. Entre as variações do produto, o farelo de soja tem tido uma boa recepção no mercado exterior. Uma das razões pelo desempenho do setor é o papel da China como principal consumidor do produto. Mais de 70% das nossas exportações do produto se direcionam para lá.

Outro setor que também tem uma certa dependência do mercado consumidor chinês é de carnes bovinas. O país foi repensável por em torno de 3 bilhões de dólares de faturamento nas exportações brasileiras de produtos do tipo no ano de 2019. Ademais, a desaceleração do fim de 2020 e início de 2021 no setor se deu pela queda no consumo no país. Contudo, esse fenômeno parece ter sido comum pelo período de fim de ano e a tendência seria de retomada do crescimento nos próximos meses.

Com relação ao arroz, café, feijão e trigo, a expansão produtiva e o aumento do valor desses produtos no mercado internacional tornaram a exportação deles ainda mais agradável em comparação ao mercado nacional. Nesta dinâmica, o aumento do dólar foi fundamental para proporcional um aumento de lucratividade ainda maior, e, pelo menos por enquanto, não perspectivas de que o câmbio terá uma cotação menor tão cedo. Entre os produtos citados o que mais se encaixa nesta descrição é o arroz, o quão tem previsto para esse ano uma expansão produtiva nacional para se aproveitar das condições positivas do mercado externo.


INDUSTRIA EXTRATIVA



A indústria extrativa também representa um outro polo histórico de sustentação da nossa balança comercial. O setor, o qual corresponde a extração de minérios em geral, petróleo, madeira e carvão têm complementado muito bem a agricultura nos mercados em que ela tem uma boa faixa de abrangência como a China, mas também tem bastante desempenho em outros mercados que possuem polos industriais que necessitam de um grande fluxo de matéria-prima como os Estados Unidos.

Com relação ao petróleo, por mais que tenha ocorrido uma queda no valor do produto no início da pandemia em 2020, com a retomada da atividade industrial o preço do commodity tem aumentado a alguns meses. Entretanto, no caso do Brasil, o que mais atrai na exportação são os produtos derivados desse commodity, os quais são exportados para muitos países, sendo o principal os Estados Unidos.

Como fator intensificador, a política monetária brasileira, a qual tem provocado uma queda do valor da moeda nacional também tem proporcionado uma atratividade maior para a exportação de petróleo e seus derivados. A desvalorização da moeda foi tão grande que a maior parte do aumento da lucratividade na exportação deste tipo de commodities se deve não ao aumento dos preços no mercado internacional, mas sim a um retorno em reais na conversibilidade de dólares na nossa moeda nacional.

Com relação aos minérios, vale destacar o impacto do mercado chinês. A China por apresentar um parque industrial pulsante é um dos maiores consumidores internacionais de minérios como o minério de ferro. O fato do país ter sido um dos que menos sofreu com os impactos econômicos da pandemia e o que mais recuperou sua produção industrial no pós-lockdown impulsionou as exportações brasileiras do commodity durante todo o ano, mesmo durante os períodos mais pesados da pandemia. Considerando a tendência da produção chinesa sempre se manter em crescimento, é provável que o setor ainda mantenha boas perspectivas para o ano de 2021.


INDUSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO



Com relação ao nosso campo industrial nacional, nossas indústrias sofreram incialmente com o impacto da pandemia sobre o consumo interno. A queda vertiginosa da lucratividade e da produção foi preocupante a princípio, mas com a retomada das atividades comerciais, com o auxilio emergencial, assistências de crise do governo e medidas internas de adaptação a crise, muitas indústrias conseguiram recuperar a produtividade e têm se destacado no mercado interno.

O retorno do crescimento foi tão grande nos últimos semestre que liquidou os índices de perda do setor no mercado interno, servindo como uma das bases que alavancou o PIB. Além disso, as indústrias exportadoras que tinham mercado no exterior também tiveram ajuda do câmbio, o qual como já explicado acima, serviu de base para aumento da lucratividade de quase todos os setores que tinham na exportação uma saída para aumentar lucratividade.


COMÉRCIO



Assim como a produção industrial, o baque sobre o comércio foi pesado e o setor foi um dos que mais sofreu com a pandemia. A necessidade de implementação de lockdowns para melhorar a saúde pública inicialmente pesou sobre os comércios que não possuíam mecanismos de achar novas saídas e perspectivas para manter as suas vendas. Ademais, o aumento no desemprego a queda no poder de compra da população em geral foi um fator agravante, o qual pôde ser minimizado posteriormente pela implementação do auxílio emergencial, mas não foi resolvido completamente, pois certos produtos que anteriormente eram consumidos com frequência, em face de uma renda mais limitada dos consumidores com a queda do poder de compra o aumento da inflação sobre os produtos básicos, acabaram deixando de ser prioridade da cesta de compras de parte da população, o que declinou parte das vendas.

Apesar de todos esses fatores citados, o setor ainda sim conseguir terminar o ano em alta, tendo liquidado suas perdas no fim do terceiro semestre. Entretanto, esse processo de retomada foi mais lento e menos intenso que nos outros setores.

Isso se deveu a tendência de crescimento de compras online e outras formas digitais de comercialização de produtos. O consumidor que antes preferia ir a uma loja física por costume, agora viu-se obrigado a se adaptar aos ambientes digitais em busca de segurança e comodidade.

Com base no exposto, é possível esperar que com a vacinação as vendas presenciais voltem a aumentar e parte do comércio digital reduza, mas é provável que o ultimo termine a situação com mais força do que o primeiro pós-pandemia. Essa comodidade encontrada com operações digitais sendo executadas frequentemente pode impulsionar que usuários que antes não tinham tanta confiança nestas plataformas finalmente as adotem como forma definitiva para efetuar suas compras.


SERVIÇOS DA INFORMAÇÃO



A área de serviços, por estar muito associada a atividades presenciais, também foi outra importante área do mercado interno que sofreu bastante com seus índices de lucratividade com o começo da pandemia. Assim como o comércio, fatores como a queda do poder de comprar e a ascensão de métodos digitais para ofertar certos, serviços foram impactantes no desempenho do setor.

Apesar de ter ocorrido uma retomada lenta, muitos setores que dependem de atividades presenciais, principalmente aqueles relacionados ao lazer como academias, restaurantes entre outros, tiveram uma redução no fluxo de clientes pela maior taxa de transmissão.

Em contrapartida, os serviços relacionados a área da informação foram os que mais se adaptaram as dinâmicas digitais por já possuírem estruturas e ferramentas para usar os ambientes que se formaram. Justamente estes foram os que mais cresceram e mais se destacaram no setor ao longo do ano passado e o início de 2021.


CONSTRUÇÃO CIVIL



A construção civil foi um setor que sofreu bastante nos últimos anos com problemas da economia sobre o mercado imobiliário, entretanto, surpreendente, ela foi um dos setores que mais cresceu no ano de 2020 apesar da pandemia, geralmente mais de 100.000 postos de trabalho em todo o país.

Entre os motivos que proporcionaram tanto aumento para o setor estão incentivos nacionais para construção e a queda dos juros para financiamento, os quais reduziram os custos de produção e de mão de obra, além de facilitarem o consumidor que estava com renda debilitada a financiar uma casa mais facilmente.

Apesar disso, o crescimento teria sido ainda maior se não fosse pela inflação sobre o preço dos matérias de construção, os quais impactaram negativamente nos orçamentos.

Como fator atrativo, a capacidade de aproveitar terrenos com baixo preço para construção e posterior revenda é uma atividade que tem apresentada retorno considerável. Apesar de não ser dos maiores, ele tende a ser constante, o que tornaria essa atividade consideravelmente segura para investimentos.


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Fontes:


Ministério da Economia divulga setores mais afetados pela pandemia;

PIB cresce 7,7% no 3º trimestre de 2020

Construção civil gerou mais de 30 mil empregos no ano da pandemia em SP, diz Caged

PIB do 3º trimestre: veja atividades que retomaram nível pré-pandemia e as que ainda acumulam perda

Carne bovina tem aumento de mais de 35% em 2020, segundo pesquisa da USP

Exportação de minério de ferro do Brasil tem maior nível do ano em junho

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